Para proteger picanha e filé, supermercados instalam até alarmes antifurto

Com o aumento dos preços das carnes e receio de furtos, grandes redes de supermercados estão intensificando medidas de proteção com alarmes em seus produtos. O procedimento, que ganhou destaque nacional após relatos de pessoas das periferias nas redes sociais, também já pode ser presenciado em Campo Grande. Na Capital, pelo menos três estabelecimentos contam com o mesmo sistema antifurto. São eles: Extra, da Rua Joaquim Murtinho, Fort Atacadista, do Bairro Parati, e Carrefour.

Quem passa pelas gôndolas de carnes desses locais se depara com peças embaladas em redes e contendo etiquetas eletrônicas, sempre nos cortes mais valorizados, as chamadas carnes nobres, como a picanha e filé mignon. No supermercado do Bairro Parati, o alarme, somente nas bandejas de picanha, parece ser novidade. Já nas carnes menos “prestigiadas” continuam o bom e velho código de barras.

No supermercado Extra, apenas algumas unidades são encontradas com o mecanismo de proteção. No entanto, um trabalhador que fazia limpeza do local e terá a identidade preservada informou que já presenciou um flagrante de tentativa de furto. “Tentaram desativar o alarme de uma peça, foi quando o alarme disparou. Se deram mal”.

Já o Carrefour parece ser o estabelecimento mais precavido, pois conta com dois modelos de etiquetas: uma com chip que aciona o sinal caso o produto não passe pelo caixa e outra com alarme instantâneo de violação. As duas para a mesma finalidade, porém para valores distintos. Funcionária que fazia reposição e que não quis se identificar, relata que a medida não é nova, no entanto, afirma que aumentou a quantidade de peças rastreadas.

Cliente do local, a professora Zara Cassel afirma ter notado um maior volume de carnes com alarmes e acredita ser uma “atitude relativamente normal, pois todo produto que é mais caro tem maior proteção”. Em nenhuma das localidades foram encontrados alarmes em peças com valor inferior a R$ 100,00.

Para Edmilson Verati, presidente da AMAS (Associação Sul-mato-grossense de Supermercados), “o investimento em tecnologias é uma prática comum das grandes empresas e não se restringe ao produto carne. Há também esse mesmo tipo de monitoramento em queijos, vinhos, entre outros e nega que haja relação entre as medidas adotadas e a alta dos preços. Esse procedimento existe há cerca de uma década”. Mesmo com maior proteção na hora da venda ele afirma não haver queixas das redes associadas sobre aumento de furtos. Sobre os outros produtos, como os queijos citados por Verati, não foi constatado pela reportagem nenhum similar contendo os tais lacres.

O que dizem as redes citadas – Conforme a assessoria de comunicação do Carrefour, as medidas de segurança adotadas pela empresa são uniformes em todas as lojas do grupo no país, que não há relação direta com valor do produto protegido e que outras mercadorias, como chocolates, contam com o mesmo sistema. No entanto, admite não haver critérios específicos que embasem os motivos para escolha dos produtos a serem rastreados.

Em resposta, o Fort Atacadista informa que “trabalha em suas lojas com sistema antifurto há 6 anos. No caso da unidade Parati, foram implementadas desde sua inauguração em 2018. As mercadorias escolhidas para a adoção do sistema são as de alto valor agregado, como bebidas importadas e cortes especiais de carne. As medidas de segurança do Fort Atacadista complementam a qualidade no atendimento e conforto aos seus clientes e colaboradores, sempre prezando pelo respeito ao coletivo”.

Até o fechamento desta edição, a reportagem não conseguiu  contato com o Extra.

 

Fonte: campograndenews