Câmara aprova, mas Lia diz que Alan não merece ganhar R$ 21,9 mil por mês

Em sessão iniciada às 15 horas de ontem (13) e encerrada por volta das 01h30 da madrugada desta terça-feira (14), a Câmara Municipal aprovou por 13 a 06 o projeto de lei que aumentou, a partir de janeiro, em 57% o salário do prefeito Alan Guedes (PP), além do vice Guto Moreira (PL) e secretários municipais.

Com o reajuste, o salário do Alan Guedes passará de R$ 13.804,56 para R$ 21.900,00. O vice ganhará R$ 15.900,00 e o secretariado R$ 13.900,00 mensais. O PL 243/2021 é de autoria da Mesa Diretora da Câmara.

Com várias matérias polêmicas que levaram dezenas de pessoas ao Legislativo, entre elas trabalhadores na Educação e Saúde, a sessão foi tumultuada e em certos momentos o presidente da Casa, Laudir Munaretto (MDB) chegou a advertir que esvaziaria o plenário para manter a ordem e garantir a palavra de vereadores na tribuna.

Coube à vereadora Lia Nogueira (PP) a fala mais contundente da noite. Provocada pela líder do prefeito, Daniela Hall (PSD), a jornalista foi à tribuna e disse: “Se alguém acha que Dourados está sendo bem administrada e o prefeito merece um salário que vai a mais de R$ 21 mil, que fique à vontade, a mim ele não merece”.

Lia Nogueira, assim como o vereador Elias Ishy (PT), cobrou isonomia na proposta de reajuste, admitindo que existem distorções e defasagem nos salários pagos na Prefeitura.

Ontem, também, “a toque de caixa”, assim como o PL que aumentou os ganhos de Alan Guedes, um outro projeto foi apresentado pelo Executivo e aprovado pela Câmara, concedendo apenas 5% de reajuste salarial aos demais servidores em 2022. “Isso é ridículo”, disse Lia Nogueira.

Ela insinuou ser engodo a retórica de correção de teto salarial, tendo como pano de fundo a contratação de médicos, utilizada por aqueles que defenderam o PL. “Esse projeto é para aumentar o salário de Alan Guedes, sim”, afirmou, lembrando que a Prefeitura não apresentou nada para remunerar melhor e pagar em dia os funcionários da Funsaud, inclusive médicos, que trabalham no Hospital da Vida e na UPA.

A vereadora advertiu que a partir de 2022, terá “secretário que ganhará mais R$ 40 mil por mês” e criticou a falta de iniciativa do prefeito de debater o PL com todos os 19 vereadores e não apenas com a “Mesa Diretora”.

Além de Lia Nogueira, votaram contra o projeto que autorizou o prefeito ganhar quase R$ 22 mil por mês e secretário até R$ 40 mil mensais, os seguintes vereadores: Marcio Pudim e Juscelino Cabral (DEM), Fabio Luis (Republicanos), Marcelo Mourão (Podemos) e Elias Ishy (PT).

 

Fonte: Folha de Dourados